Alerta máximo
Viagem à história do clube do Bola de Ouro Florian Albert
Valoriza argumentos húngaros, mas sente equipa focada para todos os detalhes
«Para eles, os quartos são uma oportunidade histórica,
mas temos ilusão tremenda de seguir em frente, com máximo alerta»
- Carlos Vicens Treinador do Braga
12 mar 2026 - O Jogo
Por PEDRO CaDIMa, enviado especial à Hungria
Sem aceitar favoritismo, compreendendo enredo de uma visita dura, espanhol foi cauteloso em todas as respostas. Braga volta à Hungria depois da atribulada viagem de 1966, com derrocada na eliminatória.
O Braga regressa à Hungria, depois de uma eliminatória da Taça das Taças, em 1966/67, quando foi eliminado pelo Gyori Eto. Perdeu por 3-0 fora, deixando fugir uma vantagem de dois golos. Nos tempos da cortina de ferro, os minhotos, então novatos na Europa, foram de avião para a Áustria e tiveram de fazer longa viagem de autocarro para entrar no destino, enfrentando um rigor militar que desencorajava atos rebeldes. Mesmo assim, causaram furor junto do hotel, perante jovens que se aproximavam para autógrafos. Com uma travessia de praticamente 60 anos, o regresso foi com outro conforto, direto à capital e com uma Hungria nos antípodas do comunismo pela liderança de ultra-direita de Orbán. Também já não se apresenta a Budapeste que ecoa com estrondo numa música dos bracarenses Mão Morta, que envolve bandas a tocar, um vodka para atestar e tudo a ‘rock’n’rollar’.
Com Niakaté e El Ouzzani na comitiva como grandes novidades, Carlos Vicens não quis elevar fasquias, mesmo com o favoritismo que toca ao Braga numa visão exterior. “Vai ser difícil, porque é uma oportunidade histórica para o Ferencváros chegar aos quartos. Temos de entrar em campo para competir bem e com muita atenção a detalhes que podem ser determinantes. Com tudo isto misturado, cabe-nos fazer um bom jogo”, expôs, já depois de saber que Robbie Keane havia dito que o clube magiar não estava para fazer número.
O técnico espanhol exigiu “máximo alerta” para o que é apenas “a primeira parte da eliminatória”. “Temos uma ilusão tremenda de seguir em frente, depois da qualificação direta. A equipa terá de ser capaz de se adaptar a diferentes momentos, alturas mais igualadas e outras a pender para um lado ou outro. Teremos de ser sempre competitivos e unidos pelo objetivo comum dos quartos”, apontou Vicens. “Nesta fase só se apanha quem merece estar. Nada é fácil, é uma equipa com espírito competitivo muito alto, que sabe jogar e ser agressivo, muito forte nos duelos quando necessita e capaz de forçar jogo direto”, rematou.
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“Zalazar e Horta fundamentais”
12 Mar 2026 - O Jogo
No Ferencváros, equipa que teve uma única representação portuguesa, de Rui Pedro, hoje mora um médio que já passou pelo Santa Clara, o brasileiro Júlio Romão, que acertou na mudança para leste, conseguindo ter sucesso no Qarabag, do Azerbaijão, para chegar ao Ferencváros. Romão começou por se estrear em Portugal, precisamente numa vitória açoriana em Braga.
Em conversa com o JOGO, o médio-defensivo não escondeu que foi um jogo bem especial, “que caberá sempre na memória.” Esse lindo começo rendeu uma passagem positiva por Portugal, embora o impacto tenha crescido noutra latitude. Voltou a Braga como peça do Qarabag, vendo uma disputa titânica no prolongamento render o apuramento aos azeris.
“Foi uma eliminatória incrível, tínhamos vários jogadores que tinham passado pela Liga Portuguesa. Conseguimos extrair o máximo nível de competitividade e vencer em Braga foi muito gratificante. Foi o jogo das nossas vidas, lembro-me como se fosse hoje”, declara Júlio Romão.
O médio deixa de parte as recordações para viver o presente num duelo que convoca olhares para os quartos de final da Liga Europa.
“Os bons momentos contra o Braga ficam para trás, é um adversário muito difícil, como seria o FC Porto. Foi dada toda a importância. É uma equipa perigosa nos seus ataques, temos que evitar as suas transições. Acho que Zalazar e Horta são os homens fundamentais, mas o Moutinho também está com toda a sua história e experiência”, elogia o brasileiro, que abriu portas da Europa nos Açores.
Sentir o prestígio do Ferencváros é outra energia que também contagia Júlio Romão.
“É um clube gigante, de muita expressão. Individualmente, fez-me muito bem aceitar este desafio, trouxe-me visibilidade. É um clube com uma dimensão enorme; nas ruas e no estádio toda a atmosfera é excecional. Vivem intensamente o clube”, defende Romão, ciente de que tem vindo a transformar o seu papel e a ditar outra importância no campo.
“Vivi a infelicidade de lesões em Portugal e acabei não tendo as oportunidades que queria. No Qarabag tive muito sucesso, joguei praticamente sempre, atingi o melhor de mim. Pude ganhar títulos e fazer história. Na Hungria arranquei muito bem e, depois de um problema físico, já me sinto novamente a cem por cento”, disse, a concluir.
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Keane troca os irmãos Horta
Robbie Keane, treinador do Ferencváros, quis elogiar o Braga, mas acabou por identificar perigo no Horta errado. “Temos de ter cuidado, individualmente são muito bons. Horta, Zalazar… Defrontei o Horta, quando ele estava no Olympiacos. Muito bom jogador”, avisou, achando que se referia a Ricardo quando, na verdade, estava a identificar o irmão, André, que jogou pelos gregos contra os israelitas do Maccabi, então treinados pelo irlandês, que, enquanto jogador do Tottenham, se lembrava vagamente de ter defrontado o Braga, mas já não fazia ideia de que tinha bisado no Minho (2-3), eliminando os guerreiros na Taça UEFA de 2006/07.
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Massima allerta
LA FORZA DEL MINHO SUL DANUBIO
Vicens punta senza fretta ai quarti.
Valorizza le argomentazioni ungheresi, ma sente la squadra concentrata su tutti i dettagli
«Per loro i quarti sono un'occasione storica,
ma noi abbiamo la grande illusione di andare avanti,
con la massima attenzione»
- Carlos Vicens, allenatore del Braga
12 mar 2026 - O Jogo
di PEDRO CADIMA, inviato speciale in Ungheria
Senza accettare il favoritismo, consapevole della difficoltà della trasferta, lo spagnolo è stato cauto in tutte le sue risposte. Il Braga torna in Ungheria dopo il travagliato viaggio del 1966, con la sconfitta nella partita di ritorno.
Il Braga torna in Ungheria dopo una partita di Coppa delle Coppe nel 1966/67, quando fu eliminato dal Gyori Eto. Perse 3-0 in trasferta, lasciandosi sfuggire un vantaggio di due gol. Ai tempi della cortina di ferro, i minatori, allora esordienti in Europa, volarono in Austria e dovettero affrontare un lungo viaggio in autobus per raggiungere la loro destinazione, affrontando un rigore militare che scoraggiava atti ribelli. Ciononostante, fecero furore davanti all'hotel, davanti ai giovani che si avvicinavano per chiedere autografi. Dopo quasi 60 anni, il ritorno è stato più confortevole, direttamente nella capitale e con un'Ungheria agli antipodi del comunismo grazie alla leadership di estrema destra di Orbán. Non si presenta più nemmeno Budapest, che riecheggia con fragore in una canzone dei Mão Morta di Braga, che coinvolge band che suonano, vodka da bere e tutto il rock'n'roll.
Con Niakaté ed El Ouzzani nella squadra come grandi novità, Carlos Vicens non ha voluto alzare l'asticella, nonostante il favoritismo che spetta al Braga in una visione esterna. “Sarà difficile, perché è un'occasione storica per il Ferencváros di arrivare ai quarti. Dobbiamo scendere in campo per competere bene e prestare molta attenzione ai dettagli che possono essere determinanti. Con tutto questo, sta a noi fare una buona partita”, ha spiegato, dopo aver saputo che Robbie Keane aveva detto che il club magiaro non era lì solo per fare numero.
Il tecnico spagnolo ha chiesto la “massima attenzione” per quella che è solo “la prima parte degli ottavi di finale”. "Abbiamo una grande voglia di andare avanti, dopo la qualificazione diretta. La squadra dovrà essere in grado di adattarsi ai diversi momenti, a quelli più equilibrati e ad altri in cui la bilancia pende da una parte o dall'altra. Dovremo essere sempre competitivi e uniti dall'obiettivo comune dei quarti“, ha sottolineato Vicens. ”In questa fase si arriva solo chi lo merita. Niente è facile, è una squadra con uno spirito competitivo molto alto, che sa giocare ed essere aggressiva, molto forte nei duelli quando serve e capace di forzare il gioco diretto", ha concluso.
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Júlio Romão: “Zalazar e Horta fondamentali”
12 mar 2026 - O Jogo
Nel Ferencváros, squadra che ha avuto un unico rappresentante portoghese, Rui Pedro, oggi gioca un centrocampista che ha già militato nel Santa Clara, il brasiliano Júlio Romão, che ha azzeccato il trasferimento a est, riuscendo ad avere successo nel Qarabag, in Azerbaigian, per arrivare al Ferencváros. Romão ha esordito in Portogallo proprio in una vittoria delle Azzorre a Braga.
In un'intervista del JOGO, il centrocampista difensivo non ha nascosto che è stata una partita davvero speciale, “che rimarrà per sempre nella memoria”. Quel bellissimo inizio ha portato a un periodo positivo in Portogallo, anche se l'impatto è cresciuto ad altre latitudini. È tornato a Braga come giocatore del Qarabag, assistendo a una titanica disputa nei tempi supplementari che ha portato alla qualificazione degli azeri.
“È stata una partita incredibile, avevamo diversi giocatori che avevano giocato nella Liga portoghese. Siamo riusciti a dare il massimo e vincere a Braga è stato molto gratificante. È stata la partita della nostra vita, me la ricordo come se fosse ieri”, dichiara Júlio Romão.
Il centrocampista mette da parte i ricordi per vivere il presente in un duello che richiama l'attenzione sui quarti di finale della Europa League.
“I bei momenti contro il Braga sono ormai alle spalle, è un avversario molto difficile, come lo sarebbe il Porto. È stata data tutta l'importanza necessaria. È una squadra pericolosa in attacco, dobbiamo evitarne le transizioni. Penso che Zalazar e Horta siano gli uomini fondamentali, ma anche Moutinho ha tutta la sua storia ed esperienza", elogia il brasiliano, che ha aperto le porte dell'Europa alle Azzorre.
Sentire il prestigio del Ferencváros è un'altra energia che contagia Júlio Romão.
“È un club enorme, di grande importanza. A livello individuale, accettare questa sfida mi ha fatto molto bene, mi ha dato visibilità. È un club di enormi dimensioni; per le strade e allo stadio l'atmosfera è eccezionale. Vivono intensamente il club”, sostiene Romão, consapevole di aver trasformato il suo ruolo e di aver acquisito un'altra importanza in campo.
“Ho vissuto la sfortuna degli infortuni in Portogallo e alla fine non ho avuto le opportunità che desideravo. Al Qarabag ho avuto molto successo, ho giocato praticamente sempre, ho dato il meglio di me. Ho potuto conquistare titoli e fare la storia. In Ungheria ho iniziato molto bene e, dopo un problema fisico, mi sento di nuovo al cento per cento”, ha concluso.
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Keane scambia i fratelli Horta
Robbie Keane, allenatore del Ferencváros, ha voluto elogiare il Braga, ma ha finito per identificare il pericolo nell'Horta sbagliato. "Dobbiamo stare attenti, individualmente sono molto bravi. Horta, Zalazar... Ho affrontato Horta quando era all'Olympiacos. È un ottimo giocatore", ha avvertito, pensando di riferirsi a Ricardo quando, in realtà, ne stava identificando il fratello André, che ha giocato per i greci contro gli israeliani del Maccabi, allora allenati dall'irlandese che, da giocatore del Tottenham, ricordava vagamente di aver affrontato il Braga, ma non aveva più idea di aver segnato una doppietta nel Minho (2-3), eliminando i guerrieri dalla Coppa UEFA 2006/07.
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